Dicas

Chocolate com Dendê

Não. Este, definitivamente, não é um blog de dieta e receitas light. Entretanto, como muitos sabem, há pouco mais de dois anos sou uma vigilante do peso.

Sempre fui gordinha. À medida que fui crescendo, fui também engordando. Bancando a Poliana do nordeste, pelo menos não sofro da síndrome do passado magro. É aquela clássica cena que rola quando as pessoas se juntam para olhar fotos antigas e seeeeeeeeeeeeempre tem alguém que solta: “Meu Deus! Olha como eu era magra”! Eu não. Melhor! Eu olho minhas fotos antigas e penso que gordinha é coisa do passado.

Deixei de ser gordinha, sim, mas da gordice não largo jamais! E é uma das coisas que mais gosto dessa história de ser vigilante. Aprendo a controlar os impulsos, a trocar um alimento por outro mais saudável, porém a gordinha que mora em mim vive e tem desejos que ainda podem ser realizados, mas na medida certa.

Por falar em desejos, este fim de semana foi especial. Há algum tempo sigo um blog muito bacana, chamado Cozinha de Improviso. Duda, a dona do blog, escreve receitas e dicas de cozinha de uma forma simples e que dão pra fazer em casa. Babo nas fotos e SEMPRE que eu tento fazer algo em casa, dá uma merda diferente. Mas juro que a culpa é minha e não dela!

Duda é mãe de Chicão, um dos bebês mais fofos e sociáveis que já vi na vida. Fomos visitá-los e, como num passe de mágica, ela trouxe uma bandejinha com cupcakes de café com chocolate. Uma bandeja inteira daqueles lindos e macios cupcakes! A sensação foi da realização do sonho de fã que encontra o ídolo, sabe? Era eu, finalmente, experimentando um cupcake feito por Duda que, é claro, estava de-li-ci-o-so!

O encontro

Mas, voltando ao Vigilantes, o problema de seguir direitinho mora, exatamente, na tal da medida certa. E, com a páscoa chegando, lá vou eu, doida varrida, desejando chocolates e doces e bombons e guloseimas. Acho lindos os supermercados decorados com aqueles túneis de ovos de páscoa. É tipo o Mundo Encantado do Chocolate, né? Eu adoro! Mas o encanto acaba quando olho as plaquinhas com os preços… QUE OVO É ESSE, HAMBURGUER?

Pra não deixar de presentear os chegados, encomendei umas trufinhas Flor de Lótus (que são uma delícia, por sinal!), coloquei num baldinho fofo e embrulhei com papel celofane. Pronto, lembrancinha bonita e gostosa. Família, namorado, todo mundo feliz.

Eu, artista

 

Uma das coisas que acho mais interessante na Páscoa na Bahia é mistureba “gastro-religiosa”. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação. E como é que a gente comemora? COM DENDÊ! Nasci numa família católica e, desde pequena, aprendi que não se deve comer carne na sexta-feira santa. Porééééém, não comer carne, lá em casa, significa comer caruru, moqueca, vatapá, feijão de corda. Santa Igreja Católica? Nada além disso? Aham. OK.

Só pra deixar claro que não estou reclamando, tá? Pelo contrário! Dendê com chocolate e tá tudo lindo!

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6 comentários em “Chocolate com Dendê

  1. Adorei a visita, mas o cupcake nem estava uma Brastemp, fiz correndo, com Chico no colo, difícil dar certo!
    um dia prometo alguma coisinha feita com calma!
    beijoca

  2. Conheci seu blog agora, mó saudade da Bahia.
    Sobre Páscoa, um trecho de uma crônica do João Ubaldo:

    A Semana Santa também se caracterizava pelo rigoroso jejum que a gente observava. Comer carne, principalmente a partir da quarta-feira, o mínimo que dava era a pessoa ficar a noite em claro, achando que ia morrer estuporada. Pelo menos pereba dava, era fato conhecido. Então, já na segunda-feira, minha mãe não facilitava, não existe nada pior do que menino perebento. Ela anunciava, na hora do almoço:
    — Esta semana, jejum completo!
    Era um grande sacrifício. Com a família toda reunida em volta de uma mesa gigantesca, a gente enfrentava: uma moquequinha de curimã; um escaldado de curimã, para os meninos enjoados, que não comiam moqueca; uma salada de bacalhau, para meu avô português, mas todo mundo metia a mão; curimã frita, para os meninos ainda mais enjoados, que não comiam nem moqueca nem escaldado; um vermelho assado, que minha mãe não deixava de fazer, senão meu pai reclamava e dizia que era muito, muito infeliz, e então minha mãe enchia meu pai de vermelho assado; feijão de leite; feijão normal, para os meninos enjoados e meu pai, que não comíamos feijão de leite; um ensopadinho de camarão, para o caso de chegar alguém e a gente poder passar vergonha; arroz, chuchu, maxixe, abóbora, tomate, macaxeira, fruta-pão, inhame, pão (para meu avô português), macarrão, manga, abacaxi, caju, melancia, mamão, pitomba, gravatá, marmelada, goiabada, compota de caju, doce de leite, baba-de-moça, biscoito rico, queijo de bode, requeijão, manteiga de garrafa, bolachão, suspiros e sequilhos, além de mais umas vinte coisas, que a memória me falha nestas horas. Na verdade, o jejum lá de casa era conhecido e vinham amigos e parentes de longe, só para jejuar com a gente. Sempre foram recebidos, não davam trabalho algum, bastava acrescentar uns cinco pratos ao cardápio e reforçar o tira-gosto, que começava a sair às dez horas da manhã de terça-feira e só parava domingo de noite, pelo menos que eu saiba.
    Hoje, não. Hoje ninguém mais jejua, é ou não é? Principalmente aqui no Nordeste. Deve ser o desgaste do espírito religioso de nosso povo. Aqui no Nordeste se passa muita fome, mas nunca que é a mesma coisa.

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